Crise pode exigir redirecionamento de investimentos no setor energético, diz Pinguelli


Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - A crise financeira vai afetar o setor energético nacional, porque afeta a economia mundial. E poderá exigir uma mudança de escala dos investimentos programados para o setor porque, “se uma determinada atividade econômica voltada à exportação se reduzir, vai diminuir também o consumo energético nessa área”. A avaliação foi feita hoje (12) pelo diretor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Pinguelli Rosa.

O professor, que participa em Londres de um seminário sobre usinas hidrelétricas e mudanças climáticas, defendeu, em entrevista à Agência Brasil, a manutenção dos principais projetos de longo prazo do setor elétrico, como as usinas Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, que deverão entrar em operação dentro de cinco anos.

Pinguelli defendeu ainda a continuidade dos investimentos na área do pré-sal. Segundo ele, mesmo que o preço do barril de petróleo esteja acima de US$ 40, a Petrobras considera viável o pré-sal. “Por isso, os investimentos nessa área devem ser mantidos.” Para ele, os recursos devem ser mantidos também na área dos biocombustíveis, que não contribuem para o efeito estufa.

“Pelo menos nessas três áreas, o Brasil tem que manter o investimento e a expansão, naturalmente dentro do razoável.” De acordo com Pinguelli, é difícil a energia ficar mais cara no Brasil por causa da crise externa. Ele lembrou que o preço do petróleo está em queda no mercado internacional e que a energia elétrica “já está caríssima” no Brasil. É preciso mudar o modelo energético para diminuir os custos que vão para o consumidor brasileiro, principalmente o consumidor da rede, porque o  consumidor livre, que é a grande indústria, tem contratos especiais, disse o professor”.

 Na próxima semana, o professor Pinguelli Rosa presidirá, no Rio, o 12º Congresso Brasileiro de Energia. Entre os grandes desafios do setor, citou o petróleo, o pré-sal e o modelo do setor elétrico. Pinguelli é também secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.